
Mesmo sendo considerada o tratamento mais eficaz para aliviar os sintomas da menopausa, a reposição hormonal (TRH) ainda está longe de ser uma realidade para muitas mulheres no Brasil.
Uma pesquisa recente da Ipsos revelou que 44% das brasileiras com sintomas não fazem nenhum tipo de tratamento, mesmo diante do impacto direto na qualidade de vida. Entre os principais motivos estão a falta de informação, a dificuldade de acesso e, principalmente, o medo.
Câncer, trombose, ganho de peso: afinal, o que é risco real e o que é mito?
De acordo com o Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal do Climatério (SOBRAC), a terapia hormonal é segura e eficaz quando bem indicada. Ainda assim, como qualquer tratamento, precisa ser avaliada de forma individual.
Quando a reposição hormonal faz sentido
A TRH é indicada principalmente para mulheres com sintomas que impactam a qualidade de vida, como ondas de calor intensas, insônia, secura vaginal e alterações de humor.
Nesses casos, a terapia pode:
- Reduzir os fogachos
- Preservar a saúde óssea, prevenindo osteoporose e fraturas
- Melhorar a lubrificação vaginal e a vida sexual
- Contribuir para a saúde urinária
- Ajudar na manutenção do colágeno, com impacto na pele e nos cabelos
Outro ponto importante é o momento de início. O Consenso da SOBRAC destaca a chamada “janela de oportunidade”, em que os benefícios são maiores nos primeiros anos após a menopausa ou antes dos 60 anos.
Os riscos: o que é mito e o que é real
Grande parte do receio em torno da TRH vem de estudos antigos ou interpretações equivocadas.
Ainda segundo a pesquisa Ipsos citada na abertura deste texto, 22% das mulheres temem desenvolver câncer; 27% acreditam que vão ganhar peso; e 18% associam o tratamento a problemas cardiovasculares. Mas a ciência atual ajuda a colocar esses pontos em perspectiva.
De acordo com especialistas ouvidos em reportagem sobre o tema no portal do Dr. Drauzio Varella:
Ganho de peso: não há relação direta com a TRH; o aumento está mais ligado a hábitos e mudanças metabólicas.
Câncer de mama: pode haver um leve aumento de risco em alguns casos, especialmente no uso prolongado combinado, mas isso não é uma contraindicação para mulheres sem histórico da doença.
Trombose: o risco existe, mas está principalmente associado a quem já teve eventos prévios e pode ser reduzido com a escolha da via adequada.
Quando não é indicada
Apesar dos benefícios, a reposição hormonal não é recomendada em alguns casos, como:
- Câncer de mama ou endométrio (atual ou prévio)
- Tromboembolismo ativo ou recorrente
- Doenças hepáticas graves
- Infarto ou AVC recentes
- Sangramento vaginal sem causa definida
Nessas situações, o próprio Consenso da SOBRAC recomenda alternativas não hormonais para o controle dos sintomas.
O mais importante: não generalizar
A reposição hormonal não é para todo mundo, mas também não deve ser vista como vilã.
Cada mulher vive a menopausa de forma única. Por isso, a decisão deve ser compartilhada com o médico, considerando histórico de saúde, intensidade dos sintomas, momento de vida e preferências individuais.
Mais do que seguir tendências ou medos, o caminho é a informação de qualidade. Porque, quando bem orientada, a escolha deixa de ser um risco e passa a ser uma aliada do bem-estar.


