Saúde

Reposição hormonal na menopausa: é para todo mundo?

By 15 de maio de 2026 No Comments
Ilustração com comprimidos rosas formando o símbolo feminino, representando reposição hormonal, menopausa e saúde da mulher.

Mesmo sendo considerada o tratamento mais eficaz para aliviar os sintomas da menopausa, a reposição hormonal (TRH) ainda está longe de ser uma realidade para muitas mulheres no Brasil.

Uma pesquisa recente da Ipsos revelou que 44% das brasileiras com sintomas não fazem nenhum tipo de tratamento, mesmo diante do impacto direto na qualidade de vida. Entre os principais motivos estão a falta de informação, a dificuldade de acesso e, principalmente, o medo.

Câncer, trombose, ganho de peso: afinal, o que é risco real e o que é mito?

De acordo com o Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal do Climatério (SOBRAC), a terapia hormonal é segura e eficaz quando bem indicada. Ainda assim, como qualquer tratamento, precisa ser avaliada de forma individual.

Quando a reposição hormonal faz sentido

A TRH é indicada principalmente para mulheres com sintomas que impactam a qualidade de vida, como ondas de calor intensas, insônia, secura vaginal e alterações de humor.

Nesses casos, a terapia pode:

  • Reduzir os fogachos
  • Preservar a saúde óssea, prevenindo osteoporose e fraturas
  • Melhorar a lubrificação vaginal e a vida sexual
  • Contribuir para a saúde urinária
  • Ajudar na manutenção do colágeno, com impacto na pele e nos cabelos

Outro ponto importante é o momento de início. O Consenso da SOBRAC destaca a chamada “janela de oportunidade”, em que os benefícios são maiores nos primeiros anos após a menopausa ou antes dos 60 anos.

Os riscos: o que é mito e o que é real

Grande parte do receio em torno da TRH vem de estudos antigos ou interpretações equivocadas.

Ainda segundo a pesquisa Ipsos citada na abertura deste texto, 22% das mulheres temem desenvolver câncer; 27% acreditam que vão ganhar peso; e 18% associam o tratamento a problemas cardiovasculares.  Mas a ciência atual ajuda a colocar esses pontos em perspectiva.

De acordo com especialistas ouvidos em reportagem sobre o tema no portal do Dr. Drauzio Varella:

Ganho de peso: não há relação direta com a TRH; o aumento está mais ligado a hábitos e mudanças metabólicas.

Câncer de mama: pode haver um leve aumento de risco em alguns casos, especialmente no uso prolongado combinado, mas isso não é uma contraindicação para mulheres sem histórico da doença.

Trombose: o risco existe, mas está principalmente associado a quem já teve eventos prévios e pode ser reduzido com a escolha da via adequada.

Quando não é indicada

Apesar dos benefícios, a reposição hormonal não é recomendada em alguns casos, como:

  • Câncer de mama ou endométrio (atual ou prévio)
  • Tromboembolismo ativo ou recorrente
  • Doenças hepáticas graves
  • Infarto ou AVC recentes
  • Sangramento vaginal sem causa definida

Nessas situações, o próprio Consenso da SOBRAC recomenda alternativas não hormonais para o controle dos sintomas.

O mais importante: não generalizar

A reposição hormonal não é para todo mundo, mas também não deve ser vista como vilã.

Cada mulher vive a menopausa de forma única. Por isso, a decisão deve ser compartilhada com o médico, considerando histórico de saúde, intensidade dos sintomas, momento de vida e preferências individuais.

Mais do que seguir tendências ou medos, o caminho é a informação de qualidade. Porque, quando bem orientada, a escolha deixa de ser um risco e passa a ser uma aliada do bem-estar.